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Um Punhado de Areia nas Mãos

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Um Punhado de Areia nas Mãos

Hoje o temporal abateu-se sobre a Ilha. Não é que não estejamos habituados, mas nestes dias sinto sempre mais a pequenez desta terra, o esquecimento, o abandono dela à sua sorte. E de nós. Como se não fossemos território de importância para os deuses. Como se estivéssemos prisioneiros em terra de ninguém e o resto do mundo se avistasse para lá do muro. Começou logo de manhãzinha, para não perder tempo. Um vento agreste a tentar arrasar a minha banksia, a deitar por terra as camélias em botão… Uma chuva em grossas escorrências pelos muros do quintal, e caindo na minha clarabóia com um barulho atroador. E, o pior de tudo, este nevoeiro denso, que se abate sobre nós, silencioso e prepotente, que nos encharca os ossos e nos deixa a alma triste. Olho para os lados da Serra de Água de Pau e não a vejo. Angustia-me não vê-la. Faz parte da Ilha. É ponto de referência, como uma bússola, quando nos perdemos na noite. E é como me sinto. Perdida na beleza envenenada desta Ilha, que dorme e sonha “embalada ao som do mar”, como disse Antero um dia.

Autora: Maria João Ruivo

 

Em stock

DETALHES DO PRODUTO

Additional information

Weight 0,317 kg
Dimensions 23 × 16 × 1,2 cm
ISBN

978-989-735-128-0

Edition

2017

Language

Português

Bookbinding

Capa mole

Publisher

Letras Lavadas

SOBRE O AUTOR

Maria João Ruivo

Maria João RuivoMaria João Ruivo nasceu na ilha de São Miguel – Açores, em 1965. Completou os estudos secundários no Liceu Antero de Quental, onde lecciona há vinte e nove anos, tendo-se licenciado, em 1989, em Línguas e Literaturas Modernas (Português/ Inglês). Filha do escritor açoriano Fernando Aires, cedo revelou gosto pela escrita, tendo algumas publicações dispersas em jornais da região, entre a crónica, o conto e a escrita memorialística. Em Dezembro de 2011, veio a lume o Livro de Homenagem a seu Pai – Fernando Aires – Era uma Vez o seu Tempo – projecto que resultou da sua coordenação conjunta com Onésimo Almeida e Leonor Simas Almeida. No âmbito da actividade da Associação de Antigos Alunos do Liceu Antero de Quental, de que é vice-presidente, coordenou, em conjunto com dois outros membros da Direcção, a Publicação do Livro Memórias do Nosso Liceu, que foi apresentar na Casa dos Açores em Lisboa. Foi responsável, ainda, pela Reedição da obra diarística integral de seu Pai, Era uma Vez o Tempo, que saiu em Dezembro de 2015, com a chancela da editora Opera Omnia. Este seu primeiro livro, de carácter intimista, reúne memórias e reflexões que abrangem um longo período de tempo, embora, como a própria autora diz, “com largas intermitências, porque a escrita de nós não é pacífica e, a par com o encantamento da descoberta, traz muitas dúvidas e angústias, por isso a adiamos tantas vezes.”

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