Memórias de Madre Aliviada da Cruz

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Em que parte da vida deste convento entra a música? A leitura? O cultivo das artes? A contemplação das árvores? O encontro com o mar? Em que parede desta casa está inscrito o infinito? Estamos obrigadas à bondade? Que devemos fazer aos pensamentos lascivos? Em que lugar desta casa devemos abandonar a vontade de homem? Quem esventra porcos, cabritos e vitelos? É permitido manter o coração no peito, ou temos de o deixar lá fora? Quem veste as irmãs defuntas de uma casa onde a Fé se apalpa, se excita, aviva, adormece e morre? Porque razão têm as gavetas um só puxador? O padre, que rezou a missa há pouco, visita na intimidade as irmãs? Com que frequência as luas nos pintam de sangue as pernas? Em que lugar deste convento sacrificam as crianças nele nascidas? O que fazer às penas das asas dos pássaros caídos no jardim? Quem cava o quintal? Que castigo reservam às irmãs que violam noviças? O pecado da masturbação é igualmente punido, se o coadjuvante tiver sido colhido na horta? A quem cabe enfeitar de flores a capela? As irmãs mortas por solidão são enterradas no mesmo cemitério que recebe o corpo das que morrem sifilíticas? Concluindo. Deus chamou me a esta casa para nela me santificar! Para que se cumpra a vontade de Deus, preciso que a irmã me responda a todas as dúvidas colocadas.

Autor: Henrique Levy

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Autores

Henrique Levy

Poeta e romancista, é portador de uma identidade com várias pertenças. Cidadão português, nascido em Lisboa, com nacionalidade cabo‑verdiana. Viveu em diversos países da Europa, Ásia, África e América. Reside, por opção, na ilha de São Miguel. É autor de cinco romances: Cisne de África (2009); Praia Lisboa (2010); Maria Bettencourt Diários de Uma Mulher Singular (2019); Segredo da Visita Régia aos Açores (2020); Memórias de Madre Aliviada da Cruz (2021). É autor de seis livros de poesia, Mãos Navegadas (1999); Intensidades (2001); O silêncio das Almas (2015); Noivos do Mar (2017); O Rapaz do Lilás (2018); Sensinatos (2019). Editou, em co-autoria com Ângela de Almeida, em 2020, o livro de poemas Estado de Emergência (2020). Editou e anotou A Sibylla – Versos Philosophicos (2020), de Marianna Belmira de Andrade, cuja primeira edição data de 1884. Assinou vários ensaios literários, publicados na imprensa e em revistas literárias. Tem poemas e contos dispersos por diferentes Antologias, sendo, também, coordenador da editora açoriana Nona Poesia.

 

Informação adicional

Peso0.305 kg
Dimensões (C x L x A)23 × 16 × 1.5 cm
Edição

2021

Idioma

Português

Editora

Letras Lavadas

Aconselhável

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