Todo este silêncio

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Todo este silêncio

Em Portela dos Ventos, vila de criadores de gado bovino perdida no interior de Portugal, tudo decorre sob o signo de uma aparente normalidade até ao dia em que o chão se começa a abrir debaixo dos pés dos seus habitantes. Qual a razão dos estranhos buracos que engolem pedaços inteiros da povoação? E que tipo de relação pode existir entre essas misteriosas crateras e certos factos obscuros, soterrados num passado incómodo que a todos convém esquecer?
Um dos jornalistas que chegam para cobrir os acontecimentos fica alojado em casa de Guilherme Paixão. O dono do decrépito casarão recebe-o entre citações literárias e evocações de histórias locais, passadas nos anos sessenta. Há nele uma afabilidade de eremita atormentado, que guarda ainda no peito o rasto a uma culpa antiga e precisa de um ouvinte para se confessar. E dessa ferida aberta vai extraindo um a um, para os entregar ao seu inquilino, os personagens e os factos de uma tragédia pessoal que se confunde com a história recente de Portela dos Ventos: o Padre Velho e o Padre Novo; as duas filarmónicas rivais; os grandes criadores de gado, brutais e sem escrúpulos; um veterinário ambicioso e um curandeiro com poderes mágicos; um papagaio demasiado palrador; uma mulher com um cancro no peito, tratado a pensos de carne crua; um antigo almocreve, desbocado e bêbado, com muitas histórias para contar. Em pano de fundo, soletrado no jornal ou comentado na penumbra da taberna, o mundo exterior a este universo rural vai seguindo a sua marcha: os Rolling Stones iniciam uma digressão pela América; Mary Quant cria a moda da minissaia; Portugal tropeça na ditadura e na guerra colonial. E no meio deste turbilhão de acontecimentos, Guilherme Paixão – então um jovem médico em início de carreira – apaixona-se pela doce e impulsiva Maria Rosa, a amante do Padre Novo.
Cinco décadas depois a vila é outra – mais industrial, mais desolada, mais triste -, mas alguns dos personagens que assombram a memória de Guilherme continuam vivos, partilhando incómodos segredos e refugiando-se no silêncio quando interrogados pelo jornalista. Enquanto isso, as ruas são devoradas pelo mal sem nome e o perigo cresce a cada dia que passa. Que tipo de ameaça paira sobre esta povoação igual a tantas outras pelo mundo fora, que definham corroídas por tumores e epidemias invisíveis? Que tragédias futuras se escondem em cada cratera que a nossa Civilização vai criando? É ao jornalista que cabe reunir as pontas soltas de um novelo que parece desembocar nos erros do passado recente.

Autor: Paulo Ramalho

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DETALHES DO PRODUTO

Informação adicional

Dimensões (C x L x A) 23 × 16 × 1,5 cm
ISBN

7989897354618

Edição

01 -MAI- 2023

Idioma

Português

Encadernação

Capa mole

Editora

Letras Lavadas

SOBRE O AUTOR

Paulo Ramalho

Paulo Ramalho (1960) é antropólogo e vive na ilha de Santa Maria, Açores. Obras publicadas: O Crescer do Silêncio (Fora do Texto, 1992), Ofício Imperfeito (A Mar Arte Editora, 1994), Histórias do Reino Distante (A Mar Arte Editora, 1996), Exorcismo dos Anjos (A Mar Arte Editora, 1997), As Duas Sombras (Íman Edições, 2003 – Bolsa de Criação Literária – IPLLB), Ilha Entre Linhas (Novo Imbondeiro, 2008 – Bolsa Criar Lusofonia – CNC).

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