Eu, Padre, me confesso...

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EU, PADRE, ME CONFESSO…

Hoje, não tenho alternativa. A festa do cinquentenário da minha ordenação sacerdotal obriga-me a pedir aos leitores que tenham a paciência de me ouvir, ou de me ler, em confissão… Ora, lá de vez em quando, perguntam-me se, ao longo da vida, nunca me arrependi de ter ido para padre. Costumo responder: sim, há momentos em que duvido se terei tomado a decisão acertada, como outros há em que dou graças a Deus por ter feito essa escolha. A verdade é que, para mim, essa já nem é uma questão. Muito menos, um drama. Aprendi e habituei-me a viver psicologicamente entalado entre a satisfação de exercer o ministério e a sensação de perda do que poderia ter sido e vivido se não tivesse sido padre. E essa tensão, por vezes desconfortável e inquietante, sinto-a sobretudo perante duas realidades bem distintas:
Por um lado, quando constato que os maiores obstáculos com que deparo no trabalho pastoral vêm não do povo ou da comunidade mas da própria instituição, a Igreja Católica, sua hierarquia, algumas das suas leis e, pior, de alguns dos seus pecados, que os tem, e grandes, como se sabe. Nos anos mais recentes, tem-me valido de consolo o Papa Francisco, os seus gestos admiráveis e as suas posições corajosas.
Por outro lado, a dúvida ocorre-me quando tenho oportunidade de conhecer mais de perto casais jovens, com dois ou três filhos, que, logo se vê, constituem famílias unidas e felizes; ou, então, quando vejo na rua crianças, a caminho da escola, de mãos dadas com os avós. Aí, invade-me um sentimento algo indefinido, semelhante a nostalgia, uma espécie de boa inveja, que me põe introspetivo, a falar comigo mesmo: “Estás a ver o que perdeste? Renunciaste ao direito humano, natural, de viver com uma companheira, de constituir família, de ser pai, de ser avô… Achas que valeu a pena?”
Uma pergunta que fica sempre sem resposta conclusiva, porque, dependendo do estado de espírito e das fases da vida, umas vezes respondo que sim, outras que não. Para paz e sossego da minha consciência, tem predominado o “sim”, nestas últimas semanas, pois vejo-me rodeado da simpatia e amizade de tanta gente que me saúda por ir celebrar 50 anos de padre. E até, aos meus olhos, as pessoas parecem “conspirar” umas com as outras para me surpreenderem com a festa do próximo domingo.
Muito obrigado a todos!
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Autor: Teixeira Dias

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DETALHES DO PRODUTO

Informação adicional

Peso 0,218 kg
Dimensões (C x L x A) 23 × 16 × 1,1 cm
ISBN

978-989-735-393-2

Edição

2022

Idioma

Português

N.º Páginas

136

Encadernação

Capa mole

Editora

Letras Lavadas

SOBRE O AUTOR

Teixeira Dias

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